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terça-feira, 2 de agosto de 2011

Não é culpa sua


     
Eu poderia escrever milhões de coisas, mas são tantos pensamentos que me ocorrem nesse instante, que mal consigo organizá-los. Está tudo fora de lugar. Não sei se é para rir ou para chorar. Chuva lá fora e o vazio aqui dentro. Tem horas que precisamos fazer o que tem que ser feito, mas só Deus sabe como é difícil. Não consigo sentir nada, nem raiva, nem amor. Não consigo nem chorar para lavar a minha alma. Ficam as músicas, os livros e a lembrança do que foi bom. E foi muito, me fez crescer, mas não serve mais. Vão-se os planos, vão-se os desejos. Outros virão.
Abro mão de muitas coisas, mas não de mim. Acredite, sou mais feliz assim. Confortável seria aceitar a vida como ela é, levar uma vidinha mais ou menos, “hoje beija, amanhã não beija, depois de amanhã é domingo e segunda-feira ninguém sabe o que será”[1]. Para mim, não. É muito sacrifício viver com doses homeopáticas de “amor”, amor de conta-gotas, aquele que você alimenta um pouquinho só pra continuar respirando.  Chega uma hora que esse amor não resiste, ele começa a falhar, vai parando devagarzinho, até que acaba.  Ou talvez, nem fosse amor. Prefiro o nada do que pouco. Quero intensidade, quero entrega, quero verdade. Não, não é sua culpa. É que eu preciso de mais.  


[1] Carlos Drummond de Andrade

PS: "Preciso tanto me fazer feliz..."