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sábado, 12 de março de 2011

Prateleira

Florbela Espanca - http://leilavariedades.files.wordpress.com/2010/04/florbelaespanca2.jpg

E entre livros, cds e dvds de Beatles, Elvis Presley e sobre os anos 60, eis um livro de poemas de Florbela Espanca. Florbela triste e melancólica, que nada tem a ver com todo aquele universo, contrariando a lógica que parecia existir naquela prateleira. 
Ninguém jamais entenderia o porque daquele livro estar lá, mas ele saberia. Ele, que sempre soube de tudo, que a esmiuçava com um simples olhar, que decifrava seus pensamentos e sabia exatamente o que ela queria dizer mesmo quando não dizia nada. E como esse "despir-lhe" a alma a aborrecia. Era como se há tempos ele a conhecesse, enquanto ela nunca soube, exatamente, o que se passava com ele, que como um quebra-cabeça, revelava-se e a surpreendia sutilmente. Ela jamais imaginou que ele tivesse sensibilidade para a poesia, ele surpreendia-se com o desprendimento que ela parecia demonstrar em relação aos sentimentos. 
Fragilidades, desapego, paixões, ansiedade e algumas pequenas (e doces) mentiras. Segredos e poemas  sussurrados ao pé do ouvido, encarcerados em abraços e beijos suplicados. 
Apesar dos desencontros, só eles sabem porque aquele livro ainda permanece na prateleira. E que talvez eternize um momento compartilhado por duas almas exaltadas.

PS: "O meu mundo não é como o dos outros, quero demais, exijo demais; há em mim uma sede de infinito, uma angústia constante que eu nem mesma compreendo, pois estou longe de ser uma pessoa; sou antes uma exaltada, com uma alma intensa, violenta, atormentada, uma alma que não se sente bem onde está, que tem saudade… sei lá de quê!" (Florbela Espanca).

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