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sábado, 26 de março de 2011

Dos amores que me inspiram

Obra de Chris Consani,
 
Não são os dias de sol que me fazem pensar na vida, assim como não são os amores perfeitos que me inspiram a escrever. 
Vinícius dizia que "nada melhor para a saúde que um amor correspondido" e eu até concordo com ele, muita gente já escreveu coisas maravilhosas vivendo no "mundo cor-de-rosa", é justo. Às vezes também tento, mas ainda prefiro escrever sobre os desencontros, a saudade, a distância - o que é comum a todos nós. Afinal, quem nunca sofreu por amor? Só quem não amou.
Gosto dos ventos, das tempestades e das tormentas. Da complexidade e da inquietude dos (des)amores. Gosto do estado bruto da matéria, de imaginar um "vir a ser" ou um "nunca mais", de lapidar as discussões mal resolvidas e os sentimentos desordenados. Quero encontrar o amor no que há de mais humano - a imperfeição - e eu sei que ele está lá.
Amores impossíveis, amores que acabam no final da primavera, amores que não sobem a serra não são menos importantes do que os amores bem-resolvidos. Amores mal-resolvidos, ainda assim são amores e, por vezes, até mais intensos. Se a vida não é perfeita, porque diabo os amores haveriam de ser? Quem foi que inventou que para ser amor tinha que acabar em casamento, ser um mar de rosas e ter um final feliz?
Por que vivemos tentando acorrentar o amor e não aceitamos logo que a liberdade é uma das condições para que ele exista? Seria mais fácil aceitar que ele vem, passa (ou não), mas que tem lá seus pontos positivos.  Amor não tem data de validade, pode durar três meses, trinta anos ou a eternidade. Já dizia o mesmo Vinícius "que seja eterno enquanto dure".
Particularmente, não acredito que o amor acabe. Penso que ele se transforma (ou nós o transformamos) em outros sentimentos, mas que, no fundo, ele permanece lá, em uma gaveta que vez ou outra resolvemos abrir - e daí bate a saudade. Saudade do que foi e/ou do que poderia ter sido. Às vezes ela dói, mas o amor não.
Os amores também não são iguais, somos capazes de amar as pessoas de diferentes formas e  não  nos cabe compará-las. Besteira perguntar se alguém amou mais outra pessoa do que você. Nenhuma resposta vai satisfazer a nossa expectativa.
Amor é amor em qualquer lugar do mundo, certo ou errado, perfeito ou imperfeito. Mas, os que me inspiram são os que nos fazem perder o ar, os que se reenconciliam depois de uma briga, os impacientes, os imperfeitos, os desassossegados, os que desafiam o tempo e/ou o espaço, os que apertam o coração, que parecem ser o fim do mundo... os amores fortes, que nos modificam, desarticulam o nosso senso comum e nos fazem lembrar  da nossa condição de humanos errantes.

PS:  "Oh honey, I wanna talk about love/ And trying to hold somebody/ The way I love you babe,/ And I've been loving you babe." (To love somebody, Janis Joplin).

Um comentário:

  1. nossa.. que texto legal tia Carmen!
    profundo... faz vc refletir!
    Parabéns!

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