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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Texto premiado na 5ª Olimpíada de Redação de Jundiaí (2009): "E pur se muove"


Esse texto foi contemplado com 11º lugar na "5ª Olimpíada de Redação de Jundiaí", em 2009 e publicado em 2010. O tema do concurso era astronomia e eu pensei "Caramba, o que vou escrever sobre isso?". Pesquisei um pouco sobre o surgimento dessa ciência e relembrei algumas coisas de Fundamentos do Ensino de Ciências, lá da Pedagogia. Acabei produzindo um texto mais didático e informativo, mas também relacionando o tema com história de Galileu Galilei - considerado o pai da astronomia.

"E pur se muove"

A astronomia sempre despertou o interesse e a curiosidade humana. A princípio, quando o ainda era nômade, o homem realizava uma prática comum até os dias de hoje: observar o céu. Posteriormente, essa simples observação passa a ser acompanhada e orientada pelos mais diversos questionamentos como, por exemplo, “O céu é infinito? Como surgiram as estrelas? O Sol gira em torno da Terra? Por que a Lua só aparece à noite?”. Essas e tantas outras questões impulsionaram a curiosidade humana e proporcionaram o desenvolvimento da astronomia para que ela se tornasse a ciência que conhecemos atualmente.
Essa ciência teve uma grande contribuição para o a sobrevivência e para a evolução cultural do homem. Dentre suas contribuições, podemos destacar que a astronomia nos auxiliou a desvendar a sucessão de dias e noites, a estabelecer a contagem do tempo, a utilizar as constelações para localização geográfica, a subsidiar o desenvolvimento da agricultura e influenciou o desenvolvimento de diversas áreas do conhecimento, como a Física e a Matemática.
Quando o homem tornou-se sedentário, estabelecendo residência fixa e desenvolvendo meios para sua subsistência, facilitou os registros das observações que fazia do céu. Há mais de dois mil e quinhentos anos, os pensadores gregos já se preocupavam com a astronomia e não só eles, pois ela também foi objeto de estudo de outras civilizações, como maia, egípcia, judaica, babilônica, indiana e chinesa. Paralelamente às investigações científicas, o homem desenvolveu e aprimorou os instrumentos que o ajudariam a desvendar o seu universo, unindo conhecimento tecnológico e saber teórico.
Até o século XVI, era aceita a hipótese do geocentrismo desenvolvida por Ptolomeu, na qual a Terra era considerada o centro do universo e todos os astros giravam ao seu redor. Em 1543, Copérnico publicou um livro no qual fundamentava uma tese completamente diferente, ainda sem provas claras, denominado heliocentrismo. Esse foi um grande passo para a transformação não só da ciência que estava se desenvolvendo, mas de toda a sociedade. Copérnico afirmou que a Terra girava em torno do Sol e não o que se afirmava na época.
Posteriormente, Galileu Galilei, que se tornaria um dos principais nomes da astronomia, ouviu dizer que, em meados de 1608, o holandês Hans Lippershey teria inventado o primeiro telescópio. Motivado por essa descoberta, Galileu se empenhou na construção e no aprimoramento de novos instrumentos que facilitassem as pesquisas. A princípio, construiu um telescópio capaz de aproximar objetos em até seis vezes e, posteriormente, conseguiu aprimorá-lo, fazendo com que aproximasse um objeto em trinta e duas vezes.
Galileu começou a fazer suas observações do céu e as suas primeiras descobertas. Descobriu estrelas invisíveis a olho nu; que superfície lunar não era perfeita e cristalina, pois apresentava crateras e montanhas em sua superfície e; descobriu as luas em torno de Júpiter, que o fizeram concluir que poderiam existir outros centros de movimento que não fossem a Terra. Após descobrir que Vênus passa por um ciclo completo de fases, assim como a Lua, Galileu concluiu que isso só seria possível se Vênus e Terra orbitassem o Sol. Em 1610, Galileu publicou o livro “Sidereus Nuncius” (Mensageiro Sideral), descrevendo suas observações astronômicas.
Em 1612, Galileu passou a observar o Sol pelo método de projeção, idealizado por seu amigo Benedetto Castelli e descobriu que esse astro apresenta manchas vermelhas em sua superfície que dão volta em torno de si mesmo, ou seja, que o sol também realiza o movimento de rotação.
Porém, suas descobertas desagradaram a Igreja, pois ameaçavam alguns de seus principais fundamentos teológicos. De acordo com os religiosos daquela época, as escrituras sagradas impunham a imobilidade da Terra. Inclusive, Galileu chegou a ser advertido pelo papa, mas prosseguiu com seus estudos mesmo sabendo que Giordano Bruno havia sido queimado na fogueira por afirmar que o universo é infinito e que poderiam existir outros planetas habitáveis além da Terra.
Em 1632, Galileu publicou o livro “Diálogo entre os dois principais sistemas do mundo”, que abordava o geocentrismo e o heliocentrismo e, que em 1633 foi proibido pelo papa, influenciado por seus opositores. Ele foi chamado a Roma e interrogado, sendo forçado obrigado a abjurar para não ir para a fogueira da Inquisição, negando suas próprias convicções. Mesmo assim, Galileu foi condenado à prisão perpétua, que posteriormente foi comutada em prisão domiciliar. Mais tarde, Galileu retomou a sua escrita e investigações, tornando-se também precursor da engenharia mecânica e da dinâmica. Ao lado de Kleper, Galileu se tornaria inspiração para tantos outros estudiosos, inclusive para Isaac Newton.
Em 1637, Galileu ficou cego e, recebeu a publicação de seu livro em 1638, quando não poderia mais enxergar o universo ao seu redor, mas o enxergava dentro de si mesmo. De lá para cá, a astronomia evoluiu significativamente, bem como a tecnologia que permeia suas descobertas. Hoje, o homem já rompeu a barreira do espaço, realizando várias missões espaciais, inclusive, instalando há dezoito anos, o telescópio espacial Hubble, localizado há quinhentos e sessenta quilômetros da Terra.
Segundo uma lenda, ao final de seu juramento de que não pronunciaria mais heresias, dentre elas de que a Terra se movia, Galileu teria sussurrado “E pur se muove”, ou seja, “mas ela se move”, assim como a própria ciência e a curiosidade humana, que continuam se movendo incansavelmente.

PS: "Blue moon, you saw me standing alone/ Without a dream in my heart/ Without a love of my own..." (The Marcels).

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