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segunda-feira, 1 de março de 2010

Medo

"O grito", de Edvard Munch, 1893

Tenho medo de não saber viver direito, de chegar no fim da vida e ver que meus sonhos não foram realizados. Medo de me acostumar com uma vida medíocre, de não lutar pelo que acredito, de me conformar com tudo como tantos outros.
Tenho medo de andar em ruas desertas, medo de imprudências no trânsito, de assaltos, bala perdida, de que meus caminhos sejam interrompidos por um ato de violência, medo de perder as pessoas que amo, medo da morte.
Tenho medo de ficar sozinha, de perder família e amigos, me acostumando assim com a solidão. Medo de ter uma carreira frustrada, de não fazer o que quero, não conseguir o que espero.
Tenho medo de me perder de mim, medo de mudar e medo de ser sempre a mesma. Medo de me acostumar com o que não presta, medo de esquecer o que interessa.
Tenho medo de abraços sem amizade, de falta de lealdade, de beijos sem paixão. Medo de chuva, de sol escaldante, medo da fome e de tanto sofrimento estampado nas páginas dos jornais.
Tenho medo de cair da escada, de não me deslumbrar com nada, de não amar de verdade, de achar que a vida é banal. Medo de achar sonhos bobagens, de não dizer a verdade ,de levar uma vida "mais ou menos" quando ela pode ser mais.
Tenho medo de ter tanto medo mas, apesar de tudo, todos os dias levanto cedo com a coragem de quem precisa enfrentá-los para fazer a vida valer à pena.

PS: "Eu não sou besta pra tirar onda de herói/ Sou vacinado, eu sou cowboy/ Cowboy fora da lei/
Durango Kid só existe no gibi/ E quem quiser que fique aqui/ Entrar pra historia é com vocês!" (Raul Seixas e Cláudio Roberto)

Um comentário:

  1. Amei o texto, me vi em suas linhas, descrevendo tudo o que sinto e já senti.

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